• Bruno Souza

Como é ser psicólogo?


Ser psicólogo para mim é viver diariamente com paradoxos. É ao final de um dia de trabalho procurar desesperadamente por respostas definidas e não encontrar nenhuma. Essa é a famosa profissão paradoxal.

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Em terapia devemos manter a objetividade enquanto trabalhamos a subjetividade de nossos clientes. Buber (1956) diz que devemos desenvolver a habilidade de manter uma presença distanciada. Eis o primeiro paradoxo - como estar presente com o outro e ao mesmo tempo refletir o que está acontecendo naquele encontro?

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Somos constantemente confrontados com aquilo que não queremos encarar. Alias, é importante frisar que o psicólogo é sobretudo um ser humano, assim como você. Nós temos dificuldades, rimos alto no cinema, chegamos em casa cansados e pulamos direto para cama ainda de roupa.

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Ouvi pela primeira vez de minha mestra Sandra Salomão que o psicólogo é o “curador ferido”. Eis o segundo paradoxo de nossa profissão. Como ajudar aqueles, quando nós mesmos temos dificuldade em determinados assuntos?

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Nós enfrentamos nossas dificuldades. Aprendemos que elas nos ajudam, pois nos permitem empatizar profundamente com as dificuldades do cliente.

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Ser psicólogo é promover encontros entre dois seres humanos. É satisfazer aquela nossa grande necessidade existencial de sermos compreendidos por alguém. É verdade que não podemos entender plenamente o que você está passando, porém, podemos compreender a sua dor e dar apoio para que você não tenha mais que se sentir sozinho.

© 2019 por Bruno Souza. Imperfeito e original